Sou só eu, ou nos livramos incrivelmente rápido das pessoas em nossas vidas? Pensando sobre isso esse dias, notei que nos meus restritos 18 aniversários, as pessoas que foram nas comemorações em cada ano foram completamente diferentes, tirando a família, é claro. Começou lá pelo 12º creio eu. Uso o aniversário como exemplificação por que tive uma amiga que se preocupava terrivelmente se as pessoas do aniversário dela desse ano, seriam as mesmas no ano seguinte. Bom, basta dizer que ela era minha amiga. Em um aniversário eu estava lá e no outro, não estava mais.
Quando eu era bem mais nova me apegava absurdamente às pessoas, mas isso veio com mais consequências do que eu consigo enumerar. O golpe final foi o fim de uma amizade de 6 anos. Eu ia dizer que foi do nada, mas não foi. Para falar a verdade, esses dias comecei a me questionar até que ponto aquilo foi uma amizade. Comecei a questionar até que ponto todas essas ditas amizades foram amizades. Acho que criei uma concepção muito idealizada de um conceito que é muito difícil de ser delineado. O que é um amigo? Você sabe definir? Porque eu definitivamente não sei, mas contraditoriamente acho extremamente fácil tirar da minha vida qualquer pessoa que não se encaixe nesse dito conceito.
Acho que o problema é que não deixo ninguém se aproximar o suficiente, para número um, me conhecer o suficiente para isso e numero dois, me mostrar o que realmente seria um "amigo". Mas existe um perfil de "amigo"? Porque na minha vida até hoje eu tive basicamente três tipos de pessoa: aquela que só quer te puxar para baixo, para que ela se levante; aquela que só se importa consigo mesma e não tem o menor interesse em saber anda sobre você; e aquela que está próxima de você por pura conveniência, porque você está ali e ela também e vocês se dão bem. Talvez seja por isso que é tão fácil tirar pessoas da minha vida. Sugadores e pessoas que puxam para baixo eu já não deixo entrar em primeiro lugar, porque os primeiros anos da minha adolescência foram recheados deles e aprendi a lição. Egocêntricos são suportáveis e dão boas companhias, principalmente quando você está naquela fase de querer evitar seus problemas a qualquer custo, mergulhar no ego deles pode ajudar. Mas se você quer mais, algo mútuo, minimamente profundo, eles são a pior coisa, por que das duas uma, ou vão ignorar completamente o que você sente ou vão levar você para dentro do sofrimento deles. Os de conveniência são os mais toleráveis, mas são os que nos cansam mais facilmente.
Eu posso estar estereotipando, mas essas pessoas são absurdamente comuns e sempre aparecem na minha vida. Não preciso de uma amizade superficial para conversar sobre coisas pequenas que não acrescentam em nada. E por isso tiro tantas pessoas da minha vida. Ou pelo menos creio que seja. Acho que busco por algo mais verdadeiro do que falar sobre o filme que eu vi no final de semana, ou discutir a situação socio-política no país (não que não sejam assuntos importantes). Mas creio que seja alguém que eu saiba que posso ligar em qualquer momento e falar qualquer coisa sem correr o risco de ser julgada. Alguém com quem eu não me sinta constrangida ou inibida. Uma companhia para fazer coisas aleatórias, desde assistir a um filme, até ir a uma festa meio estranha. Não acho que eu esteja fantasiando tanto assim. Mas talvez as pessoas sejam egocêntricas demais para esse tipo de relacionamento ideal que só existe na minha cabeça (e nos filmes, é claro).
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