quarta-feira, 14 de maio de 2014

Sobre quando voltei a escrever

Sempre escrevi muito. Isso é um fato. Desde que aprendi, uso a escrita como uma espécie de terapia, para extravasar meus sentimentos, explicitar fantasias, colocar os pensamentos em ordem. No início da adolescência usava diários e mais diários. Depois passei a caderninhos específicos de tradução dos meus sentimentos, que tirei de inspiração de algum filme que eu assisti no colégio. Comecei a usar metáforas e símbolos mais complexos. Acabava deixava o caderninho rolar pela sala de aula para os colegas lerem. Começaram a falar que eu deveria ser escritora. Mas afinal, o que se sabe quando se tem 12 anos?
Depois disso descobri o tumblr, que virou praticamente meu muro das lamentações. Ao mesmo tempo era uma ótima ferramenta para treinar a escrita. E Deus sabe como eu escrevi nessa época. Ninguém sabia quem eu era e, por tanto, eu não precisava esconder nada do que eu sentia. Falar e falar e elaborar as metáforas mais loucas e reclamar da sociedade foram o ponto alto da minha vida.
Mas a partir daí escrever se tornou muito duro, muito difícil. Se antes ajudava a clarear meus pensamentos, agora só os confundia e misturava mais ainda. Passei por um momento em que quanto menos eu pensasse sobre mim, melhor. Que dirá escrever! Porque eu não sou dessas que escreve sobre personagens e cria mundos mirabolantes. Escrevo sobre o que sinto e o máximo que faço é desenvolver personagens e situações a partir disso. Nessa época entrei num vórtex negro de forma que tudo o que eu queria era fugir da minha realidade. Mergulhei mais ainda nos livros e cheguei a ler quase 80 em um ano. É, não foi um bom ano.
Mas nessa época eu tinha uma professora de português um tanto incompreendida chamada Fátima. Era por volta da metade do 2º ano e estudávamos contos e crônicas. E não é que ela me vem com um texto incrível da Martha Medeiros e uma proposta de redação na qual nós tínhamos de fazer nossa própria crônica!? Minha cabeça se fundiu naquele momento. Eram tantas possibilidades e tantos pontos de vista. Eu redescobri minha vontade e meu gosto pela escrita. Nisso já devia ter mais de ano que eu não botava uma palavra no papel.
Vendo um conto meu publicado e tudo o que devo a esse meu gosto por ler e escrever, não consigo imaginar o que teria acontecido de a Fátima tivesse mudado de ideia e passado outra tarefa para nós. Ou se eu tivesse escolhido aquele dia especifico para faltar aula, por que, sim, era a coisa que eu mais gostava de fazer no 2º ano. Como estariam as coisas hoje? Eu teria encontrado meu caminho de volta para o lápis e o papel de outro jeito? Ou seria alguém completamente diferente hoje, sem essa alma de artista, que busca em qualquer pequeno incidente um motivo para escrever?
Eu não tenho nenhuma dessas respostas. Só sei que a partir daquela tarefa, voltei a escrever com o meu coração, voltei a compartilhar meus textos com as pessoas e algumas delas até gostam de algumas coisas... Não sei se algum dia serei uma escritora. Não sei se essa coisa de só escrever sobre eu mesma deixaria. Mas independente disso tenho muito a agradecer a Prof. Fátima. Talvez um dia eu consiga dizer isso a ela.

4 comentários:

  1. Texto bacana, Letícia. Eu também tive uma prof. Fátima rsrs... É interessante o efeito q algumas pessoas tem em momentos decisivos de nossas vidas, não é mesmo? Sucesso na sua escrita!

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    1. É otimo ter alguém que dê esses empurrõezinhos né?
      Obrigada!

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    2. Que legal, eu também escrevo e também tive um professora Fátima, de Português. Alguns diários ainda tenho...

      @majucyara
      http://mvsantos.blogspot.com

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