terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Mundo de robôs?
Não sei quando aconteceu. Não sei se houve um ponto de virada, provavelmente não. Foi algo gradativo, uma calcificação de um órgão que não é usado, ou que apodreceu por ser usado da maneira errada. Perdão pelas metáforas, fiquei presa no romantismo e não consigo sair de lá, por isso as imagens efusivas.
O fato é que não acredito. Clichê, não? Mas acordei um dia, olhei para o céu e descobri que perdi a fé. Em mim, nas pessoas, nos sentimentos, em Deus, talvez? Busco por todos os lados mas não encontro. Sou muito nova para isso - esse tipo de crise só deveria chegar no final dos trinta. Quando me dei conta dessa nova condição, a primeira coisa que senti foi um vazio indescritível, mas como se, ao mesmo tempo, todo o universo estivesse dentro de mim.
Veja bem, eu ainda sinto, sinto muito, mais até do que deveria. E é aí que está a contradição: se eu sinto, as outras pessoas sentem. Porque então não parece? Porque quando olho para elas vejo robôs sem coração capazes das maiores atrocidades? Acho que é uma perda de fé generalizada na humanidade. Mas não é possível que existam 7 bilhões de robôs e só eu tenha sobrevivido. Não gosto de ficção cientifica.
Mas porque essa sensação não passa? Somos bombardeamos todo o tempo por desgraças, só gostaria de ver um pouco de amor... Será que ele ainda existe, em algum lugar por aí? Por favor, se você souber onde, me indique o caminho das pedras. Eu estou tão cansada... Acho que é isso. Estou simplesmente cansada de procurar ou esperar coisas de nunca chegam e que eu não sei como ir buscar por mim mesma. Faz sentido?
É como buscar um pote de ouro no fim do arco-íris. Ele estará lá?
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