domingo, 17 de novembro de 2013

Última Carta


Querido,
Ver você, depois de tanto tempo, foi algo para o qual eu não estava pronta. Eu fantasiava esse momento na minha cabeça, você passando por mim na rua, mas nunca acreditei que pudesse efetivamente acontecer, entende? Toda vez que saio de casa, imagino que posso te encontrar e como isso seria. E isso de fato aconteceu. Você, de todas as pessoas...
Mas o pior de tudo é saber que você, provavelmente, não se lembra. Você se lembra? Eu sou patética não sou? Ainda me lembro do seu aniversário, todos os anos, e escrevo para você em todos eles. Quem sabe quando eu for uma escritora famosa, você se lembre. Talvez eu nomeie um dos meus personagens com o seu nome. Do jeito que eu te conheço, você não contaria para ninguém. Se bem que... Não te conheço mais. As pessoas mudam muito em um curto período de tempo. Quantos anos fazem?
Porque sinto como se estivesse falando com uma parede? Ah, você não tem noção a dor que me causa, tremer ao te reencontrar, sentir todo o meu corpo fraco e minha cabeça tonta. Como sempre, você consegue destruir meu emocional em 3 segundos. Uma dopada de remédios, é o que você faz de mim.
Nunca falei sobre isso, ou mesmo escrevi, mas nós sabemos onde isso começou. Porque lá no fundo, você se lembra de mim. Sei que sim, aquele garoto que eu conheci não morreu sem deixar traços, marcas. Você foi o começo de tudo, você foi o primeiro peso me puxando para baixo. Acho que mereço, no mínimo, um olhar de reconhecimento, algo que diga, eu sei quem você é, você significou algo. Porque no final é só isso, eu só quero significar algo. É tão difícil assim?
Espero nunca mais te ver, querido. Mas eu sei que enquanto morarmos na mesma cidade, no mesmo país, as circunstâncias vão sempre nos colocar juntos. E, só para constar, essa é a última. Eu não vou escrever no seu próximo aniversário.
Com o pouco amor que sobrou,
Letícia

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