- Vamô lá, me beija!
- Não... Tá doida? Porque?
- Por que sim, ora!
- Eu to falando sério, Manu...
- Eu também.
- Tá, mas só uma vez.
- ...
- ...
- ...
- Pronto. E ai?
- "E ai" o que?
- Foi bom?
- Sei lá...
- Como assim, "sei lá"?
- Ai Carlos, "sei lá" é "sei lá".
- Manu, levanta essa cabeça, olha pra mim...
- Para com isso..!
- Você tá sentindo alguma coisa?
- Não! Esse é o problema. Eu não to sentindo porra nenhuma! Será que eu sou algum tipo de psicopata? Tem algo de errado comigo?
- Do que você tá falando?
- Do beijo. Eu não senti nada!
- ...
- Fala alguma coisa.
- O que você quer que eu fale?
- Qualquer coisa, Carlos... Qualquer coisa que me faça sentir. Me chama de qualquer nome, me dá um tapa sei lá...
- Não é assim que funciona, Manu.
- Não me abraça, me explica.
- Não tem como explicar. Ou é ou não é. Ou se sente ou não se sente...
- Mas eu to cansada disso... Não aguento mais ser de pedra.
- Um dia alguém vai vir e quebrar todo esse gelo a sua volta . Mas não é quando você quiser... De repente, um dia, vai acontecer.
- Mas quando, Carlos? Quando...?
Quando...?
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