sábado, 1 de fevereiro de 2014
Mutabilidade
Daí um dia você acorda, olha em volta e tudo está diferente. As pessoas são diferentes, o rosto no espelho é mais velho, os monstros de debaixo da cama foram embora, mas os velhos medos continuam guardados no armário. Apesar de se tentar fazer diferente, a vida parece já ser traçada com base naqueles mesmos padrões, que por mais que se queria não se consegue quebrar, e nesses momentos você questiona a existência de um destino e de Deus.
Os ombros estão pesados e aquela fé no futuro já não é mais tão nítida. A cada dia pessoas vêm e vão, tornando difícil acreditar em qualquer coisa. A mutabilidade é grande demais para o luxo de se fazer planos. Até as lágrimas parecem já ter secado. Ou talvez o coração tenha endurecido. Despedidas, coisas tão belas, profundas e dolorosas, tornaram-se tão comuns que mal são sentidas. Geração anfetamina? Os antidepressivos na gaveta do criado dizem o contrário. É como se o ser humano implorasse por companhia, mas não soubesse viver fora da sua bolha de solidão. Como acreditar em algo frente a essa realidade?
E de repente vem a obrigação de se começar de novo. Porque nada é para sempre. Emprego, faculdade, cidade... E em meio a essa incredulidade, como se entregar? Qual o objetivo de deixar o outro te conhecer se, em breve, ele irá embora para outro vir? Como ninguém se incomoda, grita, berra, chora contra essa rotatividade humana, que não deveria existir?
Junta-se as fotos do mural, guardando-as no fundo de uma gaveta. Tira-se o mural da parede, porque não há tempo de preenchê-lo. Um dia, na próxima mudança, as fotos vão ser achadas e o coração, aquele doce estúpido, vai conseguir vê-las com nostalgia, talvez até mesmo carinho... O aperto no peito e as noites em frente do espelho se perguntando o que havia de errado de repente sumindo da mente. Talvez seja o modo que nossa frágil mente encontra de sobreviver. Ninguém consegue guardar tantas memórias amargas sem sucumbir. Bom, mas talvez essa seja a explicação para o consumo massivo dos ansiolíticos e terapeutas. Ou talvez não. Quem pode saber de algo, no final das contas?
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Hoje estou num desses dias em que acordo com um vazio além de mim. O que esperar?
ResponderExcluirAcho que preciso de reconectar!!! rs...
Beijos