Ingenuamente encontrei um blog na internet, um tanto parecido com o meu, cheio de devaneios, mas um pouco mais pessoal, com histórias tiradas do cotidiano, sem todo o meu usual fluxo de metáforas. Assim que li as primeiras palavras comecei a sorrir, simplesmente dialogavam comigo, não como os textos filosóficos da Clarice, que me emocionam e arrepiam, mas de uma maneira simples, como um amigo contando um caso, ou... Não sei, é difícil explicar, e olha que não costumo ficar sem adjetivos. Como se eu conhece o autor daqueles textos, o que é completamente insano, é claro.
Mas a cada palavra eu me aproximava mais, conseguia imaginar seus dedos percorrendo o teclado em busca da palavra certa. Talvez coçasse a barba enquanto revisava o texto. Talvez ficasse imaginando quem leria aquilo, porque sei que faço isso.
Lágrimas surgiram inúmeras vezes nos meus olhos, com uma simples crônica, algo que nunca havia acontecido antes. Mas era como se eu tivesse encontrado outra pessoa com algumas das mesmas neuroses que eu, como se eu tivesse recebido o luxo de dar uma olhada num eu futuro. Era difícil saber se ria ou chorava. Ou simplesmente ficava sentada encarando a tela do computador.
Enquanto as crônicas passavam, eu ficava imaginando quem seria aquela pessoa... Seria fácil descobrir, é claro, o nome estava lá era só jogar em qualquer rede social ou site de busca, mas não fiz. Qual seria a graça? O encanto se quebraria...
Quando finalmente fechei a janela, sem saber se voltaria ou não por lá, tudo o que eu conseguia pensar era É possível se apaixonar por alguém através de suas palavras?. Bom, acho que essa é uma resposta que eu nunca vou ter...
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