O que eu acho mais bonito no ser humano é a capacidade de sonhar. Não digo colocar a cabeça no travesseiro e ver imagens aleatórias mandadas pelo subconsciente durante o sono. Digo a capacidade de fazer planos, de tentar fazer as coisas darem certo, de pensar no futuro, e, basicamente, buscar a felicidade.
Tenho um amigo que quer ser físico. Desde criança, sempre quis ser cientista. Quando eu ouço ele falar sobre buracos de minhoca, Einstein e a reatividade do espaço-tempo, praticamente consigo tocar sua alegria. Seus olhos brilham, o sorriso abre e não se fecha, ele simplesmente não consegue parar de falar. Isso é amor, um amor que transcende nossa vã compreensão e é simplesmente lindo de presenciar.
É incrível não só ter um sonho, mas ter a coragem de falar sobre ele. Eu tenho muitos sonhos e acredito que a maioria das pessoas também tenha, mas é muito difícil falar em voz alta sem se achar um pouco idiota. Mas existem casos que provam que sonhar vale a pena! Eu e minha amiga nos conhecemos bem novinhas e sempre falamos sobre a nossa vontade de conhecer outros países, morar fora e, principalmente, estudar fora. Depois de anos teorizando e imaginando, finalmente aconteceu. Ela embarcou numa avião para a França e vai ficar um ano por lá.
Acho que esse tipo de coisa, esses pequenos milagres, fazem a vida valer a pena. E eles são o motivo pelo qual eu não acho que a raça humana está totalmente perdida. Se nós ainda temos a capacidade de algo tão puro quanto o sonho, ainda temos uma chance. Sempre fui uma sonhadora, mas depois de um tempo fui crescendo e provavelmente ganhando um pouco do cinismo dos meus pais, algumas coisas pareciam um pouco demais. Mas agora eu entendo que para ser sonho não precisa ser grandioso e, mesmo que seja, não quer dizer que seja impossível. Agora eu tomo coragem e digo: meu sonho é estudar o ser humano, entender o que se passa na cabeça dessa espécie rara de 7 bilhões de indivíduos e entender como eles se organizam em algo tão complexo quanto sociedade, e, por isso, vou fazer faculdade de Psicologia e, em seguida, de Ciências Sociais. Meu sonho é ser escritora e esse é provavelmente meu sonho mais escondido. Ele só tomou coragem para sair no dia que, por alguma razão, eu resolvi escrever um conto e mandar para uma editora e, surpresa: ele foi aceito. Acho que levou cerca de 3 meses para que eu aceitasse totalmente que eu me tornara, para todos os efeitos, uma escritora. A partir daí eu passei a me dedicar mesmo, para o que antes era um sonho já tomado como fracassado.
Muitas vezes o medo nos impede de sonhar alto, de dar uma chance, de tentar... Mas no final das contas, vale a pena arriscar por esse presente dado ao ser humano. No final das contas, não está tudo tão perdido assim.

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