terça-feira, 9 de julho de 2013

Autor não. Escritor, por favor.


Li um texto de um jornalista esses dias em que ele afirma que "É fácil ser autor. Difícil é escrever". Tirando todo o conteúdo do texto, eu concordo com a frase.
Não quero ser autora, ser autor é fácil, ser autora é só assinar o nome. Não quero ser autora nunca. Quero ser escritora para sempre! Porque escrever é verbo, autor é o que? Mero complemento? Autor de alguma coisa. Não quero isso. Escritor é um estado de espirito. Hoje acordei escritor. Autor é vender. Escritor é expor a alma.
Hoje temos muitos autores, mas pouquíssimos escritores. Desde que meu escritor, digo, autor preferido disse que escreve o que vende, perdi um pouco de esperança na humanidade. Escrevo desde os 10 anos, vê lá se aos 10 anos eu ia querer vender alguma coisa? Escrevo porque é mais barato que terapia. Se alguém quiser ler, bom. Se alguém quiser comprar, melhor ainda, porque afinal, uma leitora precisa de dinheiro para seus livros.
É por essas e outras que não gosto de métrica, rima, regras... Ritmo é coisa de música. Para mim, texto pensado demais, não vem da alma. Gosto de coisas que vem da alma. Não que eu não goste de um "O Corvo" de Edgar Allan Poe ou de um paradoxo de Camões, mas ler Clarice, por exemplo, é diferente. Simplesmente diferente. Bate na alma e é absorvido, como mágica, ou como física.
Meus textos são assim, ou pelo menos eu tento fazer com que sejam. Fluxo continuo de pensamentos. Como se o leitor, ou quem quer que se interesse em ler, estivesse entrando em minha mente e, metaforicamente, em meu coração. Meus amigos diriam que é coisa de psicologa, coisa que ainda nem sou, pois eu digo que é coisa de escritor. Escritor de verdade, aquele que fazer com a alma.
Assim, nunca serei autora. Não quero, não vou. Sou criança teimosa. Mas se um dia eu pagar minha língua, que seja por consequência e não por escolha. Escritor não corrompe a alma. Quando corrompe deixa de ser escritor, porque perde a essência da verdade.
Esse texto é uma prece silenciosa para que o futuro nos reserve mais escritores e menos autores. Mais almas livres e menos receptáculos vazios.

Publicado originalmente no blog Escolhendo Seu Livro.

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