terça-feira, 9 de julho de 2013

Divagações de uma Teórica da Conspiração

Hoje eu acordei e me prometi que não iria pensar nele. Funcionou muito bem até meio dia. Esse é o meu nível de habilidade. Mas o que eu posso fazer?
Tive noticia de dois ex-namorados. Um virou militar. Palmas para ele, sonho conquistado. O outro está estudando, provavelmente para virar médico. Ou professor. Bateu uma sensação de estar estagnada, sem evoluir.
Pode parecer besteira, mas ele é o exemplo vivo disso. Somos perfeitos um para o outro, pelo menos do meu ponto de vista, mas alguma coisa continua nos mantendo separados. Alguma coisa está sempre me mantendo no mesmo lugar... Sem ter para onde fugir. Conspirações universais. Talvez eu tenha mesmo mania de perseguição, no final das contas.
Ele me ligou no final da tarde, a última pessoa com quem eu gostaria de falar. Mas o assunto entre nós parece fluir tão bem... Até que começamos a tocar em assuntos delicados demais para serem tocados. Ele fez o que não era esperado, usou a paravra "amor" para se referir a outra garota. Foi conjulgado no passado, mas ainda assim. Então, me senti compelida a falar sobre o futuro médico/professor. Eu não sentia que devia nada a ele, mas eu precisava mostrar que eu também tenho um passado, que eu também sou humana!
Mas, surpresa! Silêncio. Sabe, isso é tudo confuso demais para mim. Eu não estou acostumada. É cansativo e, honestamente, ainda não descobri se vale a pena. Minha terapeuta - por que, sim, com a minha cabeça você também precisaria de ajuda - diz que eu só posso saber se vai dar certo se eu der uma chance. Mas de onde eu vim, não existe esse tipo de coisa. Pessoas como eu, simplesmente não correm riscos.
Me levanto e vou para a frente do espelho, pensando no novo militar e em como as coisas tinham acabado entre nós. Acho que talvez essa seja a grande resposta para o mistério: pessoas nascem destinadas para serem e fazerem determinadas coisas. Talvez eu tenha nascido para ser a melhor amiga. Não que eu tenha sido boa nesse posto. Nem um pouco. Talvez eu simplesmente não seja uma "garota de relacionamentos", se tal coisas existir. Que minha terapeuta não me ouça e que ele não me leia. Mas só tem um jeito de eu saber: tentando. Adivinhem? Prefiro a obscuridade da minha vidinha mediocre. Pelo menos por enquanto.

Publicado originalmente no blog Escolhendo Seu Livro.

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