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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Não acredito em fingimento poético


Não acredito em fingimento poético. Por mais que muitos autores digam que seus personagens são só isso, personagens, eu não consigo fazer isso. Eu não consigo ter essa frieza, esse distanciamento. Primeiro porque só se escreve sobre o que se conhece, seja através da vivencia ou mesmo do sonho. Segundo, mesmo quando criamos, inventamos, algo, aquilo faz parte de nós, não há como fazer essa separação.
Isso já me causou muitos problemas, acredite em mim. Em 2013 decidi escrever para as pessoas e não só para mim, como antes, mas não mudei o jeito como escrevo: se for uma crônica, sou pessoal, uso meus amigos como exemplo, dou a minha opinião sem me importar com o que vão achar; se for um conto, eu uso fatos do meu dia-a-dia, coisas que aconteceram comigo ou com pessoas próximas de mim, para me inspirar. A questão é que quando essas pessoas começaram a ler os meus textos... Bem, nem todo mundo ficou feliz. Mas eu não posso mudar isso, é quem eu sou.
Tudo o que eu escrevo tem um pouco de mim, tem um quê de autobiográfico. Pode não ter acontecido realmente, talvez seja algo com que eu sonhe... O papel tem essa propriedade mágica de poder transformar absolutamente tudo em realidade. Grande parte dos autores conseguem criar mundos completamente novos vindos inteiramente de suas imaginações, eu não. Comigo não funciona assim. Comigo se trata dos sentimentos. É sobre a alegria de se estar com os amigos num sábado a tarde, ou receber um telefonema insperado no meio da noite. Sobre se sentir triste e não poder falar. Sobre esperança. Minha escrita é sobre o ser humano e por isso eu não posso me desvencilhar dela.
Então, no meu próximo texto, preste atenção nos detalhes. Se nós nos conhecemos, talvez você se ache lá. Se não, aposto que você vai aprender um bocado sobre mim.